Implantes hormonais: o que são e o que mudou
Por Instituto AG · 21 de novembro de 2024 · 6 min de leitura

Implantes hormonais são pequenos dispositivos colocados sob a pele que liberam hormônio de forma contínua por meses ou anos. O nome, porém, reúne produtos muito diferentes: o implante contraceptivo de etonogestrel, que tem registro na Anvisa; implantes usados em reposição hormonal; e os implantes manipulados conhecidos como "chip da beleza", que tiveram a manipulação, a venda, a propaganda e o uso suspensos pela Anvisa em outubro de 2024. Saber de qual deles se está falando é o primeiro passo para entender indicações, riscos e limites.
O que é um implante hormonal
Na prática, o implante é uma pequena estrutura que contém hormônio e fica alojada no tecido logo abaixo da pele. Pode ter a forma de um bastão flexível, de um tubo de silicone ou de um pellet (um pequeno comprimido compactado que se dissolve aos poucos). A colocação é feita em consultório, com anestesia local, por meio de um aplicador ou de uma pequena incisão.
Depois de inserido, o implante libera o hormônio lentamente. Ele passa para a circulação sem precisar ser absorvido pelo intestino nem passar primeiro pelo fígado, como acontece com os comprimidos. Os locais mais usados são a face interna do braço, no caso do implante contraceptivo, e a região do glúteo ou do abdômen em outros tipos. O detalhamento desse processo está no conteúdo sobre como o implante hormonal funciona.
Três produtos diferentes com o mesmo nome
Grande parte da confusão sobre o tema vem de tratar como iguais coisas que têm finalidade, regulação e riscos distintos.
Implante contraceptivo
É um bastão com etonogestrel, um progestagênio, colocado na parte interna do braço. Funciona como método anticoncepcional de longa duração e tem registro na Anvisa. Ele não é um "chip hormonal" de reposição, não trata sintomas da menopausa e não tem finalidade estética.
Implantes para reposição hormonal
São implantes que liberam hormônios como estradiol ou testosterona para tratar uma deficiência hormonal comprovada, como a menopausa com sintomas ou o hipogonadismo masculino. Segundo a Anvisa, porém, não há no Brasil implantes hormonais registrados para tratar sintomas da menopausa. Para reposição, existem outras vias com registro sanitário, como gel, adesivo, comprimido e injeção, e o implante é apenas uma das possibilidades discutidas na consulta.
Implantes manipulados e o "chip da beleza"
São implantes produzidos em farmácias de manipulação, muitas vezes com combinações de substâncias. Ficaram conhecidos pela divulgação com finalidade estética: emagrecimento, definição muscular, mais disposição e libido. A gestrinona, um esteroide sintético com ação androgênica, era uma das substâncias mais usadas nesse contexto.
| Tipo | Finalidade | Situação |
|---|---|---|
| Implante de etonogestrel | Contracepção | Registrado na Anvisa |
| Implantes para reposição | Tratar deficiência hormonal comprovada | Sem registro na Anvisa para sintomas da menopausa; pergunte se o produto tem registro |
| Implantes manipulados ("chip da beleza") | Divulgados para estética e desempenho | Manipulação, venda, propaganda e uso suspensos pela Anvisa em out/2024 |
O que mudou com a decisão da Anvisa
Em outubro de 2024, a Anvisa suspendeu a manipulação, a comercialização, a propaganda e o uso de implantes hormonais manipulados. Gestrinona, testosterona e oxandrolona estavam entre as substâncias citadas. A medida não alcançou os implantes com registro na Anvisa, como o contraceptivo de etonogestrel.
Antes disso, a Resolução CFM nº 2.333/2023 já vedava a prescrição de terapias hormonais com esteroides androgênicos e anabolizantes com finalidade estética, de ganho de massa muscular ou de melhora de desempenho esportivo. Na prática, as duas normas apontam na mesma direção: hormônio é tratamento para uma condição médica diagnosticada, não ferramenta de estética. Como regras sanitárias podem ser atualizadas, vale confirmar com o médico a situação vigente antes de qualquer decisão.
O que o implante hormonal não é
Os textos de divulgação costumam atribuir aos implantes efeitos que não se sustentam. Algumas correções importantes:
- Não é tratamento para emagrecer. Não há indicação de hormônio para perda de peso em quem não tem deficiência hormonal.
- Não melhora pele e cabelo de forma previsível. Hormônios androgênicos, ao contrário, podem causar acne, oleosidade e queda de cabelo.
- Não previne doenças cardíacas ou diabetes. A terapia hormonal não é indicada com esse objetivo.
- Não é procedimento sem riscos. Há riscos ligados ao hormônio e ao procedimento de inserção.
Como é a colocação
O procedimento costuma ser rápido. Após a limpeza da pele e a anestesia local, o implante é introduzido no tecido subcutâneo e o local recebe um curativo. Nos dias seguintes, pode haver dor leve, roxo ou inchaço. Sinais como vermelhidão crescente, calor, secreção ou febre exigem contato com o médico.
Os implantes não absorvíveis precisam ser retirados ao fim do período de uso, também com anestesia local. Os absorvíveis se dissolvem no corpo e não são removidos, o que significa que o hormônio continua sendo liberado até o fim, mesmo que surjam efeitos indesejados.
Antes de considerar um implante
A pergunta inicial não é "qual implante colocar", mas "existe uma condição que precisa de tratamento hormonal?". Responder isso exige consulta, exame físico e exames laboratoriais. Confirmada a indicação, o médico discute as vias possíveis, e muitas vezes outra forma de reposição é mais fácil de ajustar. As diferenças entre os modelos estão no conteúdo sobre tipos de implantes hormonais, e o passo a passo da consulta, em avaliação para implante hormonal.
No Instituto AG, a decisão sobre qualquer tratamento hormonal parte de uma avaliação individual, com exames e acompanhamento ao longo do tempo.
Perguntas frequentes
Implante hormonal e chip da beleza são a mesma coisa?
Não necessariamente. "Chip da beleza" é o nome popular dos implantes manipulados divulgados para fins estéticos, que tiveram manipulação, venda, propaganda e uso suspensos pela Anvisa em outubro de 2024. Já "implante hormonal" é um termo amplo, que inclui produtos registrados, como o implante contraceptivo.
O implante anticoncepcional serve como reposição hormonal?
Não. O implante de etonogestrel é um método contraceptivo. Ele não repõe estrogênio, não trata os sintomas da menopausa e não deve ser confundido com implantes usados em reposição hormonal.
Implante hormonal ajuda a emagrecer?
Não há indicação de implante hormonal para emagrecimento. Hormônio só é prescrito para tratar uma deficiência comprovada, e o controle de peso depende de outras abordagens, conduzidas com acompanhamento médico.
O implante pode ser retirado a qualquer momento?
Os implantes não absorvíveis podem ser removidos em um pequeno procedimento com anestesia local. Os absorvíveis se dissolvem no organismo e não podem ser retirados, por isso continuam liberando hormônio até o fim do seu ciclo.
Referências
- Anvisa. Anvisa faz proibição e publica alerta sobre hormônios implantáveis manipulados, 2024.
- Conselho Federal de Farmácia. Chips da beleza: Anvisa proíbe e alerta sobre hormônios implantáveis manipulados, outubro de 2024.
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.333/2023.
Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Diagnóstico e tratamento devem ser feitos por profissional habilitado.


