Hormônios

Tipos de implantes hormonais: como se diferenciam

Por Instituto AG · 13 de dezembro de 2024 · 5 min de leitura

Médico sentado explica algo a mulheres reunidas em pé e sentadas em sala com plantas

Os tipos de implantes hormonais podem ser comparados por três critérios principais: se o produto tem registro na Anvisa ou é manipulado, se o implante é absorvível ou não absorvível e qual hormônio ele contém. Cada combinação muda o que se sabe sobre dose, segurança, possibilidade de retirada e finalidade. Hoje, o implante contraceptivo de etonogestrel é o exemplo mais conhecido de implante registrado, enquanto os implantes manipulados tiveram manipulação, venda, propaganda e uso suspensos pela Anvisa em outubro de 2024. Entender essas diferenças é mais útil do que procurar "o implante ideal".

Primeiro critério: registrado ou manipulado

Essa é a diferença mais importante, porque define o quanto se sabe sobre o produto.

Implantes com registro na Anvisa

Um produto registrado passou por avaliação de qualidade, eficácia e segurança. A dose, o tempo de liberação, as indicações, as contraindicações e os efeitos adversos estão descritos em bula, e a fabricação segue padrões controlados. O implante de etonogestrel, usado como contraceptivo, é o exemplo mais difundido. A medida da Anvisa de 2024 não afetou os implantes registrados.

Implantes manipulados

São produzidos em farmácias de manipulação, muitas vezes com dose e combinação de substâncias definidas caso a caso. Os problemas apontados incluem variação de conteúdo e de liberação entre lotes, falta de estudos de segurança para muitas combinações e uso frequente com finalidade estética. Em outubro de 2024, a Anvisa suspendeu a manipulação, a comercialização, a propaganda e o uso de implantes hormonais manipulados. Gestrinona, testosterona e oxandrolona estavam entre as substâncias citadas.

CritérioRegistradoManipulado
Avaliação prévia de qualidade e segurançaSimNão da mesma forma
Dose e liberaçãoPadronizadas e descritas em bulaPodem variar entre lotes
IndicaçõesDefinidas em bulaFrequentemente divulgadas para estética
Situação atualDisponível conforme o registroSuspenso pela Anvisa desde out/2024

Segundo critério: absorvível ou não absorvível

Não absorvíveis

São bastões ou tubos, geralmente de material plástico ou silicone, que liberam o hormônio e permanecem no corpo até serem retirados. O implante contraceptivo é desse tipo.

  • A favor: podem ser removidos se surgir efeito adverso, se a pessoa mudar de ideia ou ao fim do prazo de uso.
  • Contra: exigem um segundo procedimento para a retirada; às vezes o implante se desloca ou fica mais profundo, o que dificulta a remoção.

Absorvíveis

São pellets de hormônio compactado que se dissolvem aos poucos no tecido sob a pele.

  • A favor: não precisam ser retirados.
  • Contra: também não podem ser retirados com facilidade. Se o nível hormonal ficar alto demais ou surgir efeito indesejado, o hormônio continua sendo liberado até o fim. A liberação tende a cair ao longo do tempo, o que pode fazer os sintomas oscilarem.
AspectoNão absorvívelAbsorvível
RetiradaNecessária ao fim do usoNão é feita
Interrupção em caso de efeito adversoPossível, com pequeno procedimentoDifícil, o hormônio segue sendo liberado
Exemplo conhecidoImplante contraceptivo de etonogestrelPellets usados em reposição

Terceiro critério: o hormônio

O hormônio define a finalidade e os riscos.

  • Etonogestrel: progestagênio usado na contracepção. Não é reposição hormonal e não trata menopausa.
  • Estradiol: usado na reposição feminina para tratar sintomas da menopausa, em mulheres com indicação. Quem tem útero precisa associar um progestagênio para proteger o endométrio. Segundo a Anvisa, não há implante registrado no Brasil para sintomas da menopausa; a reposição usa outras vias registradas.
  • Testosterona: usada na reposição masculina quando há hipogonadismo comprovado. Em mulheres, o uso é restrito a situações específicas e exige avaliação cuidadosa.
  • Gestrinona: esteroide sintético com ação androgênica, popularizado no "chip da beleza". Não deve ser considerado uma opção: foi uma das substâncias citadas na suspensão dos manipulados, e seus efeitos incluem acne, oleosidade, queda de cabelo, alteração de voz e de colesterol.
  • Combinações manipuladas: misturas de hormônios em um mesmo implante tornam ainda mais difícil prever a dose recebida e os efeitos.

Implante não é a única forma de reposição

Quando há indicação de reposição hormonal, o implante concorre com outras vias que têm registro e permitem ajuste mais simples: gel, adesivo, comprimido e injeção. Em muitos casos, a possibilidade de reduzir ou suspender a dose rapidamente pesa a favor dessas opções. A comparação detalhada entre elas está em implantes hormonais: vantagens e desvantagens, e um panorama da reposição em homens, em chip hormonal masculino.

Perguntas para identificar o tipo proposto

Antes de qualquer implante, vale perguntar ao médico:

  1. Qual hormônio, ou quais hormônios, o implante contém?
  2. O produto tem registro na Anvisa?
  3. É absorvível ou precisa ser retirado?
  4. Se eu tiver um efeito adverso, o que pode ser feito?
  5. Por que o implante foi escolhido em vez de outra via?

No Instituto AG, a escolha da forma de tratamento hormonal acontece depois de uma avaliação individual, com base na indicação, no histórico de saúde e na possibilidade de ajuste.

Perguntas frequentes

Qual é o melhor tipo de implante hormonal?

Não existe um tipo melhor para todos. A escolha começa pela indicação: contracepção, reposição feminina ou masculina. Depois, considera se há produto registrado para aquela finalidade, se outra via seria mais fácil de ajustar e o histórico de saúde da pessoa.

O implante absorvível é mais seguro por não precisar de retirada?

Não necessariamente. Não precisar de retirada também significa não poder interromper o tratamento rapidamente se surgir um efeito adverso. Essa é uma das principais limitações dos absorvíveis.

O Implanon é um chip hormonal?

Não. O implante de etonogestrel é um método contraceptivo registrado na Anvisa. Ele não é chip de reposição hormonal, não trata menopausa e não foi afetado pela suspensão dos implantes manipulados.

Ainda é possível usar implante de gestrinona?

A gestrinona estava entre as substâncias citadas pela Anvisa na suspensão de outubro de 2024, que alcançou a manipulação, a venda, a propaganda e o uso de implantes hormonais manipulados. Ela não deve ser considerada uma opção de tratamento.

Referências

Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Diagnóstico e tratamento devem ser feitos por profissional habilitado.

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