Reposição hormonal: o que é, para que serve e o que ela não faz
Por Instituto AG · 5 de dezembro de 2024 · 6 min de leitura

Reposição hormonal é o uso de medicamentos para substituir, em parte, hormônios que o corpo deixou de produzir em quantidade suficiente. Na mulher, o uso mais comum é tratar os sintomas da menopausa com estrogênio, associado ou não a um progestagênio. No homem, é a reposição de testosterona quando há hipogonadismo confirmado. Ela tem benefícios bem documentados para indicações específicas, tem riscos que variam de pessoa para pessoa e não serve como tratamento de rejuvenescimento, emagrecimento ou ganho de desempenho.
Por que os hormônios caem
Na mulher, a queda é um processo natural. Ao longo da perimenopausa, os ovários reduzem a produção de estrogênio e progesterona até que a menstruação cessa. A menopausa é confirmada depois de 12 meses sem menstruar, e no Brasil costuma acontecer por volta dos 50 anos. A queda do estrogênio explica as ondas de calor, as alterações do sono, a secura vaginal e a perda de massa óssea mais acelerada nos primeiros anos.
No homem, não existe um evento equivalente. A testosterona tende a cair devagar com a idade, e a maioria dos homens mantém níveis adequados. Quando a produção cai abaixo do normal e há sintomas, fala-se em hipogonadismo, que pode ter origem nos testículos, na hipófise ou em fatores como obesidade, apneia do sono, medicamentos e uso prévio de anabolizantes. O termo "andropausa" é popular, mas pode passar a ideia errada de que todo homem precisa de reposição com a idade.
Quais hormônios são usados
- Estrogênio: o principal hormônio da terapia da menopausa. Trata ondas de calor, suores noturnos e sintomas vaginais, e ajuda a preservar a massa óssea.
- Progestagênio: usado junto com o estrogênio em mulheres que têm útero, para proteger o endométrio. Não é necessário para quem retirou o útero.
- Tibolona: medicamento com ação hormonal combinada, usado em algumas situações na pós-menopausa.
- Testosterona: no homem, para hipogonadismo confirmado. Na mulher, tem uma indicação com evidência específica, o desejo sexual hipoativo na pós-menopausa, discutido em Falta de libido.
As vias de uso, como comprimido, gel, adesivo, injeção e aplicação vaginal, são explicadas em Formas de reposição hormonal.
Para quem há indicação
As indicações mais bem estabelecidas são:
- ondas de calor e suores noturnos moderados a intensos;
- síndrome geniturinária da menopausa, que inclui secura vaginal, dor na relação e sintomas urinários;
- prevenção de perda óssea em mulheres selecionadas;
- menopausa precoce ou insuficiência ovariana prematura;
- hipogonadismo masculino, com sintomas e testosterona baixa em mais de uma coleta matinal.
Fora dessas situações, a indicação precisa ser bem justificada. Ter um exame com hormônio "no limite" ou sentir cansaço, por si só, não basta.
O que a reposição pode fazer
Quando há indicação, os benefícios mais consistentes são a redução das ondas de calor e dos suores noturnos, a melhora do sono que costuma vir junto, o alívio da secura vaginal e da dor na relação e a preservação da massa óssea, com redução do risco de fraturas. No homem com deficiência confirmada, podem melhorar o desejo sexual, a densidade óssea, a massa muscular e, de forma geralmente modesta, o humor e a energia.
O que a reposição não faz
Muitas promessas associadas aos hormônios não se sustentam nas evidências:
- Não é tratamento antienvelhecimento. Não há comprovação de que a reposição aumente a expectativa de vida ou "reverta a idade". Afirmações desse tipo circulam na internet sem base sólida.
- Não emagrece. Os estudos não mostram que a terapia hormonal cause ganho ou perda importante de peso. O tema é aprofundado em Reposição hormonal engorda?.
- Não é recomendada para prevenir infarto ou demência. As sociedades médicas não indicam a terapia hormonal com esse objetivo.
- Não substitui o tratamento da depressão. Na perimenopausa, oscilações hormonais podem piorar o humor, e a reposição pode ajudar quando os sintomas estão ligados às ondas de calor e ao sono ruim. Quadros de depressão, porém, precisam de avaliação e tratamento próprios.
- Não é ferramenta para ganhar músculo ou desempenho. A Resolução CFM nº 2.333/2023 veda a prescrição de esteroides androgênicos e anabolizantes com essas finalidades.
Riscos em linhas gerais
Os riscos dependem da idade, do tipo de hormônio, da via e do tempo de uso. Na mulher, os principais são trombose e AVC, maiores com estrogênio oral e em idades mais avançadas, um pequeno aumento do risco absoluto de câncer de mama com o uso combinado prolongado e câncer de endométrio se o estrogênio for usado sem progestagênio em quem tem útero. No homem, destacam-se aumento do hematócrito, redução da fertilidade, acne, aumento das mamas e necessidade de acompanhar a próstata.
Os cuidados que reduzem esses riscos estão em Reposição hormonal com segurança.
Bioidêntico, manipulado e "chip": como separar
"Bioidêntico" significa apenas que a molécula é igual à produzida pelo corpo. Estradiol e progesterona micronizada são bioidênticos e existem em versões industrializadas e registradas. Já "manipulado" se refere ao local de produção. Fórmulas manipuladas podem variar de dose entre lotes e não são recomendadas como primeira escolha pelas sociedades médicas internacionais.
Os implantes hormonais manipulados, chamados de "chip da beleza", tiveram manipulação, comercialização, propaganda e uso suspensos pela Anvisa em outubro de 2024. Gestrinona, testosterona e oxandrolona estavam entre as substâncias citadas. Implantes com registro na Anvisa não foram afetados.
A decisão é individual
Não existe uma reposição padrão. A escolha considera sintomas, idade, tempo desde a menopausa, histórico pessoal e familiar, exames e preferências. A duração também não é fixa: o tratamento é reavaliado periodicamente. No Instituto AG, essa decisão parte de uma avaliação individual, e a página de reposição hormonal descreve como o acompanhamento é organizado.
Perguntas frequentes
Toda mulher na menopausa precisa de reposição hormonal?
Não. A menopausa é uma fase natural, e muitas mulheres têm sintomas leves que não exigem tratamento hormonal. A reposição é considerada quando os sintomas atrapalham a qualidade de vida ou quando há risco aumentado, como na menopausa precoce.
A produção de hormônios para totalmente depois da menopausa?
Os ovários deixam de produzir estrogênio de forma significativa, mas o corpo continua formando pequenas quantidades a partir de outros hormônios, principalmente no tecido gorduroso. Esses níveis, porém, são muito menores que os da vida reprodutiva.
Reposição hormonal é a mesma coisa que anticoncepcional?
Não. O anticoncepcional usa doses que bloqueiam a ovulação. A terapia da menopausa usa doses menores, voltadas para repor parte do hormônio que falta, e não funciona como método contraceptivo.
Homem com testosterona normal pode fazer reposição?
Não há indicação. Sem deficiência confirmada, o uso de testosterona não traz benefício comprovado, suprime a produção natural do hormônio e expõe a riscos.
Referências
Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Diagnóstico e tratamento devem ser feitos por profissional habilitado.


