Hormônios

Formas de reposição hormonal: comprimido, gel, adesivo, injeção e uso vaginal

Por Instituto AG · 7 de dezembro de 2024 · 6 min de leitura

Médica de jaleco em pé em sala clara conversando com mulheres sentadas em poltronas

Não existe uma forma de reposição hormonal que seja a melhor para todas as pessoas. Na mulher, o estrogênio pode ser usado em comprimido, gel, adesivo ou diretamente na vagina; o progestagênio, quando necessário, em comprimido ou dispositivo intrauterino com hormônio. No homem, a testosterona costuma ser usada em gel ou injeção. Cada via tem vantagens e limitações, e a escolha depende do hormônio, dos sintomas, do perfil de risco e da rotina de cada pessoa.

Por que a via faz diferença

O mesmo hormônio age de forma diferente conforme o caminho que percorre até a circulação. Um comprimido de estrogênio é absorvido no intestino e passa primeiro pelo fígado, onde estimula a produção de proteínas ligadas à coagulação e altera alguns marcadores metabólicos. Quando o estrogênio é absorvido pela pele, esse efeito de primeira passagem pelo fígado é muito menor. É por isso que a via transdérmica está associada a menor risco de trombose.

Formas de reposição na mulher

Comprimido de estrogênio

  • Vantagens: uso simples, custo geralmente menor, grande experiência clínica.
  • Limitações: maior risco de trombose e AVC em comparação com a via transdérmica, efeito sobre triglicerídeos.
  • Costuma ser considerado para mulheres sem fatores de risco para trombose, que preferem a praticidade do comprimido.

Gel de estradiol

  • Vantagens: menor efeito sobre a coagulação, permite ajuste fino da dose.
  • Limitações: aplicação diária, tempo para secar, cuidado para não transferir o produto para outras pessoas pelo contato com a pele.
  • Costuma ser considerado para mulheres com obesidade, enxaqueca, triglicerídeos altos ou outros fatores de risco para trombose.

Adesivo de estradiol

  • Vantagens: mesmo benefício da via transdérmica, troca uma ou duas vezes por semana em vez de uso diário.
  • Limitações: pode irritar a pele ou descolar com calor, suor e água.
  • Costuma ser considerado para quem prefere não lembrar de uma dose diária.

Estrogênio vaginal em dose baixa

  • Vantagens: trata secura vaginal, dor na relação e alguns sintomas urinários com absorção muito pequena pelo resto do corpo.
  • Limitações: não trata ondas de calor nem protege os ossos.
  • Costuma ser considerado quando os sintomas são apenas locais, inclusive em mulheres que não podem usar a reposição por via sistêmica, após avaliação individual.

Progestagênio

Mulheres com útero que usam estrogênio sistêmico precisam de um progestagênio para proteger o endométrio. Ele pode ser usado em comprimido, de forma contínua ou em ciclos, e em alguns casos por meio de um dispositivo intrauterino que libera hormônio. A progesterona micronizada é uma das opções disponíveis em versão industrializada.

Tibolona

É um medicamento em comprimido com ação estrogênica, progestagênica e androgênica combinada. Pode ser usado em algumas mulheres na pós-menopausa, com indicações e contraindicações próprias.

Formas de reposição no homem

Para homens com hipogonadismo confirmado, as opções mais usadas são:

  • Gel de testosterona: uso diário, níveis mais estáveis ao longo do dia. Exige cuidado para não transferir o hormônio para mulheres e crianças; lavar as mãos e cobrir a área aplicada reduz esse risco.
  • Injetável de intervalo curto: aplicado a cada poucas semanas. Pode gerar oscilações, com níveis mais altos logo após a aplicação e mais baixos antes da seguinte.
  • Injetável de longa duração: aplicado em intervalos maiores, com níveis mais estáveis e menos aplicações.

A escolha considera rotina, preferência, perfil de risco e facilidade de ajuste. Mais detalhes estão em Reposição hormonal masculina.

Comparativo rápido

FormaFrequência típicaPrincipal vantagemPrincipal limitação
Comprimido de estrogênioDiáriaPraticidadeMaior risco de trombose que a via transdérmica
Gel de estradiolDiáriaMenor efeito na coagulaçãoAplicação e secagem diárias
Adesivo de estradiolUma ou duas vezes por semanaMenos lembretesIrritação ou descolamento
Estrogênio vaginalConforme prescriçãoAção local, baixa absorçãoNão trata ondas de calor
Gel de testosteronaDiáriaNíveis estáveisRisco de transferência por contato
Testosterona injetávelSemanas a mesesMenos aplicaçõesOscilação de níveis, conforme a formulação

E os implantes?

Implante é uma forma de liberar hormônio continuamente a partir de um pequeno bastão ou pellet colocado sob a pele. A principal limitação é a dificuldade de ajuste: depois de inserido, o hormônio continua sendo liberado mesmo que surjam efeitos indesejados, até que o implante seja retirado ou, nos absorvíveis, até o fim da liberação. Segundo a Anvisa, não há implantes registrados no Brasil para tratar sintomas da menopausa.

Em outubro de 2024 a Anvisa suspendeu a manipulação, a comercialização, a propaganda e o uso de implantes hormonais manipulados, os chamados "chips da beleza". Gestrinona, testosterona e oxandrolona estavam entre as substâncias citadas. Implantes com registro na Anvisa não foram afetados pela medida. Vale não confundir: o implante contraceptivo de etonogestrel é um método anticoncepcional registrado, não uma forma de reposição hormonal da menopausa. O assunto é tratado em Tipos de implantes hormonais.

Bioidêntico é uma forma de reposição?

Não exatamente. "Bioidêntico" descreve a molécula, igual à produzida pelo corpo, e não a via. O estradiol do gel e do adesivo e a progesterona micronizada são bioidênticos e existem em versões industrializadas e registradas. Hormônios manipulados podem ter variação de dose entre lotes e não são recomendados como primeira escolha pelas sociedades médicas internacionais.

O que pesa na escolha

  • se a mulher tem útero;
  • se os sintomas são gerais ou apenas vaginais;
  • fatores de risco para trombose, enxaqueca, triglicerídeos e doença do fígado;
  • preferência por uso diário ou menos frequente;
  • sensibilidade da pele;
  • convivência próxima com crianças, no caso do gel;
  • custo e disponibilidade do medicamento.

A forma pode mudar ao longo do tratamento. Trocar comprimido por gel, ou gel por adesivo, é comum quando há efeitos indesejados ou mudança no perfil de risco. Como essa escolha se encaixa na decisão geral sobre o tratamento está em Qual reposição hormonal é indicada.

No Instituto AG, a forma de reposição é definida depois de uma avaliação individual, considerando riscos, sintomas e preferências.

Perguntas frequentes

Gel e adesivo têm o mesmo efeito?

Os dois levam estradiol pela pele e compartilham a vantagem de menor efeito sobre a coagulação. A diferença está principalmente na rotina de uso e na tolerância da pele.

O estrogênio vaginal precisa de progestagênio?

Em dose baixa e uso local, a absorção é pequena, e em geral não há necessidade de progestagênio. Sangramento vaginal durante o uso deve ser sempre comunicado ao médico.

Posso escolher a forma de reposição que prefiro?

A preferência pesa bastante, mas precisa ser compatível com o perfil de risco. Em quem tem risco aumentado de trombose, por exemplo, a via transdérmica costuma ser preferida ao comprimido.

Testosterona em gel pode passar para outras pessoas?

Pode. O contato com a pele recém-tratada transfere hormônio para parceiras e crianças. Lavar as mãos, esperar secar e cobrir a área com roupa reduz o risco.

Referências

Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Diagnóstico e tratamento devem ser feitos por profissional habilitado.

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