Hormônios

Qual reposição hormonal é indicada? Como o perfil de cada pessoa orienta a escolha

Por Instituto AG · 9 de dezembro de 2024 · 6 min de leitura

Médico de jaleco em pé no centro de uma sala de espera clara, cercado por pessoas sentadas

Não existe uma reposição hormonal melhor para todos. A opção indicada depende de alguns fatores bem definidos: se a mulher tem útero, há quanto tempo está na menopausa, se os sintomas são gerais ou apenas vaginais, quais são os riscos individuais e, no homem, se há deficiência confirmada de testosterona e desejo de ter filhos. Entender como esses fatores pesam ajuda a acompanhar o raciocínio do médico e a participar da decisão.

Os fatores que definem a escolha

  • Útero: quem tem útero e usa estrogênio precisa de progestagênio associado.
  • Momento: idade e tempo desde a última menstruação mudam o equilíbrio entre benefícios e riscos.
  • Tipo de sintoma: ondas de calor pedem tratamento sistêmico; secura vaginal isolada pode responder a tratamento local.
  • Riscos individuais: histórico de trombose, câncer, doença cardiovascular, enxaqueca e doença do fígado.
  • Objetivos e preferências: o que mais incomoda, rotina e tolerância a cada forma de uso.

Perfis na mulher

Mulher com útero e ondas de calor

O esquema mais comum é estrogênio associado a progestagênio. O progestagênio protege o endométrio contra o crescimento anormal e o câncer que o estrogênio isolado poderia provocar. O esquema pode ser contínuo, geralmente sem sangramento após a adaptação, ou cíclico, com sangramento programado, opção mais usada na perimenopausa.

Mulher sem útero

Quem retirou o útero geralmente usa estrogênio isolado, sem necessidade de progestagênio. Há exceções, como em alguns casos de endometriose prévia, que o médico avalia individualmente.

Perimenopausa, com ciclos ainda presentes

Os sintomas podem começar enquanto a menstruação ainda acontece, de forma irregular. Nessa fase, o esquema precisa levar em conta o ciclo e a necessidade de contracepção, já que a terapia da menopausa não impede a gravidez. Em algumas mulheres, o próprio método contraceptivo hormonal ajuda a controlar sintomas.

Sintomas apenas vaginais ou urinários

Quando o problema principal é secura vaginal, dor na relação ou sintomas urinários, o estrogênio vaginal em dose baixa costuma ser suficiente. Ele age localmente, com absorção muito pequena pelo resto do corpo, e não trata ondas de calor nem protege os ossos.

Menopausa precoce ou insuficiência ovariana prematura

Quando a menstruação para antes dos 40 anos, a reposição costuma ser recomendada pelo menos até a idade média da menopausa, salvo contraindicação. Nesses casos, o objetivo vai além dos sintomas: a falta precoce de estrogênio aumenta o risco de perda óssea e de doença cardiovascular.

Mais de 60 anos ou mais de 10 anos de menopausa

Segundo a posição de 2022 da North American Menopause Society, os benefícios costumam superar os riscos em mulheres com menos de 60 anos ou menos de 10 anos desde a última menstruação. A Febrasgo também destaca esse período em suas recomendações. Começar depois, em geral, não é recomendado, porque os riscos de trombose e de eventos cardiovasculares são maiores. Quando a reposição é considerada, costuma-se preferir doses baixas e a via transdérmica.

Fatores de risco para trombose

Obesidade, enxaqueca com aura, triglicerídeos altos e histórico familiar de trombose pesam a favor do estrogênio aplicado na pele, em gel ou adesivo, que está associado a menor risco de trombose do que o comprimido.

Desejo sexual hipoativo na pós-menopausa

A testosterona em dose adequada para mulheres tem uma indicação com evidência específica: o desejo sexual hipoativo na pós-menopausa, depois de avaliados outros fatores. Não é indicada para energia, emagrecimento ou ganho de massa muscular. O tema é tratado em Falta de libido.

Quem tem contraindicação

Mulheres com câncer de mama ou de endométrio, trombose ou embolia anterior, AVC, infarto, doença ativa do fígado ou sangramento vaginal não investigado geralmente não devem usar reposição sistêmica. Para elas, existem tratamentos não hormonais para as ondas de calor e recursos locais para os sintomas vaginais, avaliados caso a caso.

Perfis no homem

Hipogonadismo confirmado

A reposição de testosterona é indicada quando há sintomas compatíveis e testosterona baixa em pelo menos duas coletas feitas pela manhã. A forma, em gel ou injetável, é escolhida conforme rotina, preferência e perfil de risco.

Homem que deseja ter filhos

A testosterona de fora reduz a produção de espermatozoides. Para quem quer preservar a fertilidade, existem alternativas que estimulam a produção própria do hormônio, avaliadas pelo especialista.

Causa reversível

Quando a testosterona está baixa por obesidade, apneia do sono, medicamentos ou uso anterior de anabolizantes, tratar a causa pode melhorar os níveis do hormônio e evitar a reposição.

Sem deficiência

Homem com testosterona normal não tem indicação de reposição. A Resolução CFM nº 2.333/2023 veda a prescrição de esteroides androgênicos e anabolizantes com finalidade estética, de ganho de massa muscular ou de desempenho. Mais detalhes em Reposição hormonal masculina.

O que não deve entrar na escolha

  • Implantes manipulados: em outubro de 2024 a Anvisa suspendeu a manipulação, a comercialização, a propaganda e o uso de implantes hormonais manipulados. Gestrinona, testosterona e oxandrolona estavam entre as substâncias citadas. Implantes com registro na Anvisa não foram afetados.
  • Fórmulas manipuladas como primeira escolha: podem variar de dose entre lotes. Existem hormônios idênticos aos do corpo em versões industrializadas e registradas, como o estradiol e a progesterona micronizada.
  • O tratamento de outra pessoa: o que funciona para uma amiga pode ser contraindicado para você.

As vias de uso de cada hormônio estão comparadas em Formas de reposição hormonal. No Instituto AG, a escolha do tipo de reposição parte de uma avaliação individual, com exames e discussão de riscos.

Perguntas frequentes

Posso descobrir sozinha qual reposição é a certa para mim?

Os fatores descritos aqui ajudam a entender a lógica da escolha, mas não substituem a avaliação. Contraindicações, exames e detalhes do histórico podem mudar completamente a indicação.

Progesterona sozinha serve como reposição na menopausa?

A progesterona isolada não substitui o estrogênio no tratamento das ondas de calor de forma consistente. Seu papel principal na terapia da menopausa é proteger o endométrio de quem usa estrogênio e tem útero.

A reposição indicada pode mudar com o tempo?

Sim. Com a idade, o surgimento de novas doenças ou mudanças nos sintomas, o médico pode ajustar a dose, trocar a via ou discutir a suspensão. Por isso a reavaliação periódica é parte do tratamento.

Reposição hormonal ajuda a engravidar?

Não. A terapia da menopausa não trata infertilidade. Tratamentos de fertilidade usam hormônios com outros objetivos e esquemas, conduzidos por especialistas em reprodução.

Referências

Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Diagnóstico e tratamento devem ser feitos por profissional habilitado.

Instituto AG

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