Emagrecimento

Mounjaro e outras medicações para obesidade: qual a diferença no mecanismo

Por Instituto AG · 12 de dezembro de 2024 · 5 min de leitura

Médico de jaleco e estetoscópio de pé, cercado por um grupo de mulheres em uma sala clara com plantas

A principal diferença entre o Mounjaro e outras medicações injetáveis usadas no tratamento da obesidade está no mecanismo. A tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, ativa dois receptores hormonais, o GIP e o GLP-1. Já a semaglutida (presente no Ozempic e no Wegovy) e a liraglutida (presente no Victoza e no Saxenda) atuam apenas no receptor de GLP-1. As duas abordagens reduzem o apetite e ajudam a controlar a glicose, mas diferem na molécula, na frequência de aplicação, nas doses e na forma como cada pessoa responde. Mecanismo diferente não define um "melhor" para todos: a escolha depende da avaliação de cada paciente.

O ponto em comum: os hormônios incretinas

Depois das refeições, o intestino libera hormônios chamados incretinas, que ajudam a regular a glicose e a saciedade. Os dois principais são o GLP-1 e o GIP. Os medicamentos dessa família imitam a ação desses hormônios, mas com duração muito maior do que a dos hormônios naturais, que são degradados em minutos.

Por isso, todas essas medicações compartilham alguns efeitos:

  • aumento da saciedade e redução da fome;
  • esvaziamento mais lento do estômago;
  • estímulo à liberação de insulina quando a glicose está alta;
  • redução do glucagon, hormônio que eleva a glicose.

O que muda entre elas

Agonistas do GLP-1: semaglutida e liraglutida

A semaglutida e a liraglutida ativam apenas o receptor de GLP-1. A diferença entre as duas está principalmente na estrutura da molécula e no tempo de ação: a liraglutida é aplicada diariamente, enquanto a semaglutida injetável tem ação prolongada e é aplicada uma vez por semana. Cada princípio ativo tem apresentações comerciais diferentes, com doses e indicações próprias.

Agonista duplo GIP/GLP-1: tirzepatida

A tirzepatida é uma molécula única que ativa os dois receptores. A participação do GIP é o que a diferencia da classe anterior. O papel exato do GIP no efeito sobre o peso ainda é estudado, mas ele participa da regulação da insulina, do metabolismo da gordura e, possivelmente, do apetite. A tirzepatida também tem ação prolongada, com aplicação semanal.

Comparação lado a lado

AspectoTirzepatidaSemaglutidaLiraglutida
Receptores ativadosGIP e GLP-1GLP-1GLP-1
Frequência de aplicaçãoSemanalSemanal (forma injetável)Diária
Efeito principal no pesoRedução do apetite e da ingestãoRedução do apetite e da ingestãoRedução do apetite e da ingestão
Efeitos colaterais mais comunsGastrointestinaisGastrointestinaisGastrointestinais
Exige prescrição e acompanhamentoSimSimSim

E a eficácia?

Os estudos clínicos de cada medicamento foram feitos com populações, doses e durações diferentes, o que dificulta comparar números entre eles diretamente. Comparações em estudos que colocam dois medicamentos frente a frente existem e mostram diferenças médias, mas média não é previsão individual: há pessoas que respondem bem a uma molécula e pouco a outra, e pessoas que toleram mal uma e bem a outra.

Na prática clínica, eficácia é apenas um dos critérios. Para entender como ler os resultados das pesquisas com tirzepatida, veja Mounjaro funciona? O que dizem os estudos.

Efeitos colaterais e segurança

Como compartilham o mecanismo de GLP-1, esses medicamentos têm um perfil de efeitos colaterais parecido: náusea, vômito, diarreia, prisão de ventre e estufamento, mais frequentes no início e após aumentos de dose. A intensidade varia de pessoa para pessoa e não é possível prever, antes de começar, qual medicamento será mais bem tolerado.

Os riscos raros também são comuns à classe. O alerta da Anvisa sobre pancreatite aguda, por exemplo, incluiu dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida. Os detalhes estão em Mounjaro e pancreatite aguda. As contraindicações principais, como histórico de carcinoma medular de tireoide, costumam ser consideradas para toda a família.

Como o médico escolhe entre eles

A escolha costuma considerar:

  • condições de saúde associadas, como diabetes tipo 2, doença cardiovascular ou gordura no fígado;
  • contraindicações e histórico, como pancreatite ou doença da vesícula;
  • tolerância prévia, se a pessoa já usou algum medicamento da classe;
  • frequência de aplicação, já que aplicação diária ou semanal muda a rotina;
  • custo e disponibilidade, que interferem na possibilidade de manter o tratamento;
  • objetivos e expectativas discutidos na consulta.

Trocar de um medicamento para outro também é uma decisão médica, que exige planejamento de dose para evitar efeitos colaterais intensos.

Outras opções de tratamento

Os injetáveis da família das incretinas não são as únicas ferramentas. Existem medicamentos orais para obesidade com mecanismos diferentes, e, em casos selecionados, a cirurgia bariátrica pode ser discutida. A base de qualquer tratamento continua sendo alimentação, atividade física, sono e cuidado com a saúde emocional. Suplementos vendidos como alternativa não têm o mesmo efeito e podem trazer riscos, como explica Suplemento para emagrecer: o que existe, riscos e limites.

Um alerta comum a todos

Seja qual for o medicamento, ele deve ser comprado com receita em farmácia regularizada. Canetas sem procedência, manipulações sem controle e produtos vendidos em redes sociais expõem a riscos sérios. Veja os sinais de alerta em Mounjaro: compra segura.

No Instituto AG, a escolha de um medicamento para obesidade, quando indicada, faz parte de um plano definido após avaliação individual.

Perguntas frequentes

Mounjaro e Ozempic são a mesma coisa?

Não. O Mounjaro contém tirzepatida, que age nos receptores de GIP e GLP-1. O Ozempic contém semaglutida, que age apenas no GLP-1. Os dois são aplicados uma vez por semana e têm efeitos colaterais parecidos.

Qual é o melhor: Mounjaro, Ozempic ou Saxenda?

Não existe um medicamento melhor para todos. A escolha depende das condições de saúde, do histórico, da tolerância, do custo e dos objetivos de cada pessoa, e deve ser feita na consulta médica.

Posso trocar de um medicamento para outro por conta própria?

Não. A troca exige planejamento de dose e avaliação de contraindicações. Fazer isso sem orientação aumenta o risco de efeitos colaterais intensos.

Quem não teve resultado com um medicamento pode responder a outro?

Pode acontecer. A resposta é individual, e o médico avalia se faz sentido trocar de medicamento, ajustar a dose ou rever outros pontos do plano de tratamento.

Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Diagnóstico e tratamento devem ser feitos por profissional habilitado.

Instituto AG

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