Mounjaro funciona para emagrecer? O que dizem os estudos
Por Instituto AG · 11 de dezembro de 2024 · 5 min de leitura

Sim, o Mounjaro (tirzepatida) funciona para reduzir peso em boa parte das pessoas com obesidade ou sobrepeso que têm indicação de tratamento. Os estudos clínicos do programa SURMOUNT mostraram perda de peso média relevante em comparação com placebo, sempre associada a orientação de alimentação e atividade física. Mas "média" esconde uma variação grande: há quem perca muito, há quem responda pouco, e parte importante do peso tende a voltar quando o medicamento é suspenso. Entender como esses estudos foram feitos ajuda a ter expectativas realistas.
O que foi o programa SURMOUNT
SURMOUNT é o nome do conjunto de estudos clínicos que avaliou a tirzepatida especificamente para o controle de peso. Em linhas gerais, esses estudos:
- incluíram adultos com obesidade ou com sobrepeso associado a outras condições de saúde;
- em sua maioria, compararam a tirzepatida com placebo, ou seja, com uma injeção sem princípio ativo;
- ofereceram a todos os participantes orientação sobre alimentação e atividade física;
- acompanharam os voluntários por longos períodos, de mais de um ano;
- incluíram estudos específicos para pessoas com diabetes tipo 2 e para a fase de manutenção do peso.
O desenho com placebo é o que permite separar o efeito do medicamento do efeito das mudanças de hábito. Nos grupos que receberam placebo, também houve alguma perda de peso, mas bem menor.
Como ler os resultados
Média não é promessa
Os resultados de um estudo clínico são apresentados como médias de grupos de centenas ou milhares de pessoas. Uma média alta pode conviver com participantes que perderam pouco peso e com outros que perderam muito mais que o grupo. Por isso, o número divulgado em manchetes não serve como previsão para um paciente específico.
Quem tem diabetes tende a perder menos
Nos estudos, as pessoas com diabetes tipo 2 costumaram ter uma perda de peso média menor do que as pessoas sem diabetes. Isso também acontece com outros tratamentos para obesidade e reforça que o ponto de partida metabólico interfere no resultado.
O cenário do estudo é diferente da vida real
Em pesquisa, os participantes têm consultas frequentes, orientação estruturada e acompanhamento rigoroso de doses e efeitos colaterais. Fora desse ambiente, a adesão costuma ser menor, há interrupções por custo ou efeitos adversos e as doses nem sempre chegam ao planejado. Estudos de vida real ajudam a complementar essa visão, mas têm métodos diferentes e não podem ser comparados diretamente com os ensaios controlados.
Peso não é o único desfecho
Além do peso, os estudos acompanharam medidas como circunferência abdominal, pressão arterial, colesterol, triglicérides e glicose. A melhora desses marcadores costuma acompanhar a perda de peso, mas varia conforme a condição inicial de cada pessoa.
Por que algumas pessoas respondem menos
A resposta ao medicamento depende de vários fatores, e nem sempre é possível prever quem vai perder mais. Entre os que influenciam:
- dose tolerada, já que efeitos colaterais podem impedir o aumento planejado;
- tempo de uso e regularidade das aplicações;
- qualidade da alimentação, sono e nível de atividade física;
- uso de outros medicamentos que favorecem ganho de peso;
- condições associadas, como alterações hormonais, que precisam ser investigadas.
Uma resposta abaixo do esperado não significa fracasso do paciente. Ela é um dado clínico que o médico usa para revisar o plano.
O que acontece quando o tratamento para
Um dos achados mais importantes do programa veio do estudo SURMOUNT-4. Nele, participantes que perderam peso com tirzepatida foram divididos em dois grupos: um continuou o medicamento e o outro passou a receber placebo. Quem interrompeu o tratamento recuperou parte importante do peso perdido no ano seguinte, enquanto quem continuou manteve ou ampliou a perda.
Esse resultado reforça que a obesidade é uma doença crônica e que o medicamento controla, mas não cura, os mecanismos que levam ao ganho de peso. A decisão de iniciar o tratamento precisa considerar o longo prazo, tema aprofundado em Mounjaro: efeito a longo prazo.
O que os estudos dizem sobre segurança
Os efeitos adversos mais frequentes nos estudos foram gastrointestinais, como náusea, diarreia, vômito e prisão de ventre, mais comuns no início e após aumentos de dose. A maioria foi de intensidade leve a moderada, mas uma parcela dos participantes interrompeu o tratamento por causa deles. Eventos raros e graves, como pancreatite e problemas na vesícula, também fazem parte do perfil de segurança da classe. Veja os sinais de alarme em Mounjaro e pancreatite aguda.
E os relatos nas redes sociais?
Relatos individuais de perda de peso rápida circulam com frequência, mas não substituem estudos controlados. Eles não informam a dose usada, a procedência do produto, o acompanhamento recebido nem o que aconteceu meses depois. Também não mostram as pessoas que tiveram efeitos colaterais ou não responderam. Para decidir sobre um tratamento, o que vale é a evidência científica aplicada ao contexto de cada paciente.
Como os estudos se traduzem na consulta
Na prática, a pergunta não é apenas se o medicamento funciona, mas se ele faz sentido para uma pessoa específica. Isso envolve avaliar histórico de peso, doenças associadas, contraindicações, expectativas, custo e capacidade de manter o tratamento. No Instituto AG, essa decisão parte de uma avaliação individual, e o uso de medicamentos, quando indicado, integra um plano com alimentação, atividade física e acompanhamento.
Para entender o ritmo esperado ao longo das semanas, leia Mounjaro emagrece quantos quilos por semana?.
Perguntas frequentes
Os estudos com Mounjaro foram feitos só em pessoas com diabetes?
Não. O programa SURMOUNT avaliou a tirzepatida para controle de peso em adultos com obesidade ou sobrepeso com outras condições de saúde, incluindo estudos com e sem diabetes tipo 2. Outros programas de pesquisa avaliaram o uso no controle da glicose.
Todo mundo perde o mesmo peso que aparece nos estudos?
Não. Os números divulgados são médias. Na prática, a resposta varia bastante conforme dose tolerada, tempo de uso, hábitos e condições de saúde, e alguns pacientes respondem pouco.
O peso volta depois que o tratamento termina?
No estudo SURMOUNT-4, quem interrompeu a tirzepatida recuperou parte importante do peso perdido no ano seguinte. Por isso, suspender o tratamento deve ser uma decisão planejada com o médico.
Depoimentos de quem usou servem como prova de que funciona?
Relatos individuais não permitem saber dose, procedência do produto ou evolução a longo prazo. A avaliação da eficácia e da segurança depende de estudos controlados, interpretados para cada caso pelo médico.
Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Diagnóstico e tratamento devem ser feitos por profissional habilitado.


