Mounjaro a longo prazo: manutenção do peso, platô e o que acontece ao parar
Por Instituto AG · 12 de dezembro de 2024 · 5 min de leitura

O efeito do Mounjaro (tirzepatida) sobre o peso dura enquanto o medicamento é usado. Depois de alguns meses, a perda de peso desacelera e chega a um platô, o que é esperado. Quando o tratamento é suspenso, a fome tende a voltar ao padrão anterior e parte importante do peso perdido costuma ser recuperada, como mostrou o estudo SURMOUNT-4. Por isso, pensar no longo prazo é parte do tratamento desde o início: a obesidade é uma doença crônica, e manter o resultado exige um plano, com ou sem o medicamento.
Obesidade como doença crônica
O corpo tem mecanismos que defendem o peso que ele já teve. Depois de uma perda de peso, os hormônios que sinalizam fome aumentam, os que sinalizam saciedade diminuem e o gasto de energia em repouso cai um pouco. Essa adaptação acontece em qualquer forma de emagrecimento, com ou sem medicamento, e explica por que o reganho é tão comum.
A tirzepatida atua justamente sobre a regulação do apetite. Enquanto está em uso, ela contrabalança parte dessa pressão biológica. Quando é retirada, essa pressão volta a agir. É uma lógica parecida com a de remédios para pressão alta: eles controlam a doença enquanto são usados, mas não a curam.
As fases do tratamento
Fase de perda de peso
Nos primeiros meses, com o aumento gradual da dose, a redução do apetite é mais perceptível e a perda de peso é mais rápida. O ritmo varia bastante entre as pessoas. Para entender o que esperar, leia Mounjaro emagrece quantos quilos por semana?.
Platô
Depois de um período, a perda de peso desacelera e o peso se estabiliza, mesmo com o uso regular do medicamento. Isso não significa que o remédio "parou de funcionar". O corpo encontrou um novo ponto de equilíbrio entre a energia que entra e a que sai. Nessa fase, o médico avalia se o resultado atingido é adequado para a saúde do paciente e se há ajustes possíveis no plano.
Fase de manutenção
Com o peso estabilizado, o objetivo passa a ser manter o resultado. É nessa fase que surgem as perguntas sobre continuar com a mesma dose, reduzir a dose ou suspender o medicamento.
O que o SURMOUNT-4 mostrou
No estudo SURMOUNT-4, adultos com obesidade ou sobrepeso usaram tirzepatida por um período inicial e perderam peso. Em seguida, foram divididos em dois grupos: um continuou com o medicamento e o outro passou a receber placebo, sem saber qual dos dois recebia.
- Quem continuou o tratamento manteve o peso perdido e, em média, perdeu um pouco mais.
- Quem interrompeu recuperou parte importante do peso perdido no ano seguinte.
Os marcadores de saúde, como pressão e glicose, que haviam melhorado com a perda de peso, também tenderam a piorar no grupo que parou. Esse é um dos principais dados para discutir o tratamento como algo de longo prazo.
Continuar, reduzir ou parar?
Não existe uma resposta única. A decisão leva em conta:
- o resultado obtido e o impacto na saúde, como glicose, pressão e mobilidade;
- a tolerância ao medicamento ao longo do tempo;
- o custo e a possibilidade real de manter o tratamento;
- os hábitos construídos durante o processo;
- o desejo de engravidar ou outras mudanças de vida.
Algumas pessoas mantêm o medicamento na menor dose eficaz. Outras suspendem e passam a ser acompanhadas de perto, com estratégias para reduzir o reganho. Interromper por conta própria, sem plano, é a situação que mais favorece a perda do resultado.
O que ajuda a sustentar o resultado
Nenhuma estratégia anula completamente a tendência ao reganho, mas algumas fazem diferença:
- Preservar massa muscular: treino de força e proteína suficiente durante a perda de peso. Músculo ajuda na função física e no gasto de energia.
- Alimentação possível de manter: padrões alimentares sustentáveis funcionam melhor do que dietas restritivas temporárias. Veja Mounjaro e alimentação.
- Sono e controle do estresse: ambos interferem nos hormônios da fome.
- Atividade física regular: é um dos fatores mais associados à manutenção do peso.
- Monitoramento: acompanhar peso e composição corporal permite agir cedo quando o peso começa a subir. A bioimpedância é uma das ferramentas usadas para isso.
O que ainda está em estudo
A tirzepatida é um medicamento relativamente recente. Os estudos acompanharam os participantes por alguns anos, mas o uso por períodos muito longos ainda está sendo avaliado, assim como o efeito sobre desfechos como eventos cardiovasculares. Por isso, o acompanhamento inclui exames periódicos e atenção a efeitos raros, como a pancreatite aguda e os problemas na vesícula.
Planejar antes de começar
Como o efeito depende do uso contínuo, a conversa sobre o longo prazo deve acontecer antes da primeira aplicação. Isso inclui expectativas realistas, custo ao longo do tempo e o que será feito quando o peso estabilizar. O impacto financeiro dessa decisão é discutido em Preço do Mounjaro.
No Instituto AG, o tratamento da obesidade é planejado como acompanhamento contínuo, que começa com uma avaliação individual e segue depois que o peso estabiliza.
Perguntas frequentes
O Mounjaro precisa ser usado para sempre?
Não necessariamente, mas o efeito sobre o apetite dura apenas enquanto o medicamento é usado. A decisão de manter, reduzir ou suspender é individual e deve ser planejada com o médico, considerando o risco de reganho.
Por que meu peso parou de cair mesmo usando o medicamento?
O platô é esperado. Depois de alguns meses, o corpo se adapta e o peso se estabiliza. O médico avalia se o resultado é adequado e se há ajustes possíveis em dose, alimentação ou atividade física.
Se eu parar, vou recuperar todo o peso?
No estudo SURMOUNT-4, quem interrompeu o tratamento recuperou parte importante do peso perdido no ano seguinte. A quantidade varia entre as pessoas, e hábitos construídos durante o tratamento e acompanhamento próximo ajudam a reduzir o reganho.
Existe risco em usar tirzepatida por muitos anos?
Os estudos acompanharam os participantes por alguns anos, e o uso por períodos muito longos continua sendo avaliado. Por isso, o tratamento exige consultas e exames periódicos.
Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Diagnóstico e tratamento devem ser feitos por profissional habilitado.


