Consulta de reposição hormonal: o que esperar do primeiro atendimento
Por Instituto AG · 8 de dezembro de 2024 · 5 min de leitura

A consulta de reposição hormonal costuma ter três partes: uma conversa detalhada sobre sintomas e histórico, um exame físico e a solicitação de exames. Em muitos casos, a decisão sobre iniciar ou não o tratamento só é tomada no retorno, com os resultados em mãos. Sair da primeira consulta sem receita é comum e não significa que algo deu errado: faz parte de uma avaliação que busca confirmar a indicação e descartar riscos.
O que levar
Chegar preparado torna o tempo de consulta mais produtivo:
- lista de sintomas, quando começaram e o quanto atrapalham sono, trabalho e vida sexual;
- data da última menstruação e anotações sobre o ciclo, no caso das mulheres;
- todos os medicamentos, suplementos e fitoterápicos em uso, com doses;
- exames recentes, incluindo mamografia, preventivo, densitometria e exames de sangue;
- laudos de cirurgias, como retirada de útero ou ovários;
- informações sobre doenças na família, principalmente câncer de mama, ovário e próstata, trombose, infarto e AVC.
Quem já usou hormônio antes, inclusive anticoncepcional, implante ou testosterona, deve informar qual, por quanto tempo e por que parou.
A conversa inicial
É a parte mais longa e mais importante. O médico costuma perguntar sobre:
- sintomas atuais: ondas de calor, suores noturnos, sono, humor, memória, libido, secura vaginal, sintomas urinários, ereção e disposição;
- histórico ginecológico ou andrológico: idade da primeira menstruação, gestações, métodos contraceptivos, cirurgias, fertilidade e desejo de ter filhos;
- doenças pessoais: pressão alta, diabetes, enxaqueca, problemas de fígado, trombose, câncer;
- hábitos: tabagismo, consumo de álcool, atividade física, alimentação e sono;
- expectativas: o que a pessoa espera do tratamento e o que mais a incomoda.
Essa última pergunta ajuda a alinhar objetivos. Se a expectativa for emagrecer, rejuvenescer ou ganhar massa muscular, o médico deve explicar que esses não são objetivos da reposição hormonal. A Resolução CFM nº 2.333/2023 veda a prescrição de esteroides androgênicos e anabolizantes com finalidade estética ou de desempenho.
O exame físico
Costuma incluir peso, altura, circunferência da cintura e pressão arterial. Dependendo do caso, também envolve exame das mamas, exame ginecológico ou avaliação dos testículos e, no homem, da próstata, conforme idade e sintomas. Esses dados ajudam a identificar fatores de risco e sinais de outras doenças.
Os exames que costumam ser pedidos
Os exames variam conforme sexo, idade e histórico. Não existe um "painel hormonal" padrão que sirva para todos.
Na mulher
- Em mulheres acima de 45 anos com sintomas típicos, o diagnóstico da menopausa é clínico, e dosagens hormonais nem sempre são necessárias.
- Mamografia e preventivo em dia.
- Glicemia, colesterol e triglicerídeos.
- Função da tireoide, quando os sintomas deixam dúvida.
- Densitometria óssea, conforme idade e fatores de risco.
- Ultrassom transvaginal, quando há sangramento anormal.
- Dosagens hormonais, como FSH, em mulheres mais jovens ou com suspeita de menopausa precoce.
No homem
- Testosterona total em pelo menos duas coletas, feitas pela manhã e em jejum.
- Outros exames hormonais, como LH e FSH, para investigar a causa da deficiência.
- Hemograma, com atenção ao hematócrito.
- PSA, conforme a idade e o risco.
- Glicemia e perfil de colesterol.
Para entender o exame de testosterona, veja Exame de testosterona.
O retorno com os resultados
Com os exames em mãos, o médico revisa os achados e conversa sobre as opções. Nesse momento costumam ser discutidos:
- se há indicação para reposição ou se outra causa explica os sintomas;
- quais são os benefícios esperados e os riscos mais relevantes no caso;
- qual hormônio, dose e via fazem mais sentido, e por quê;
- quais alternativas existem, inclusive não hormonais;
- como será o acompanhamento e quais sinais exigem contato antes do próximo retorno.
Às vezes o resultado é tratar primeiro outra condição, como apneia do sono, hipotireoidismo, anemia ou excesso de peso, e reavaliar depois. No homem, tratar a causa pode, por si só, melhorar os níveis de testosterona.
O que não é esperado de uma consulta cuidadosa
- Prescrição definida antes da avaliação, ou sem nenhum exame.
- Promessa de resultado garantido ou de tratamento "sem riscos".
- Oferta de implante hormonal manipulado. Em outubro de 2024, a Anvisa suspendeu a manipulação, a comercialização, a propaganda e o uso desses implantes; implantes com registro na Anvisa não foram afetados.
- Pressão para fechar pacote de tratamento na primeira visita.
E depois?
Se a reposição for iniciada, o primeiro retorno costuma acontecer nos primeiros meses para avaliar a resposta e os efeitos colaterais, com reavaliações periódicas depois, em geral pelo menos uma vez por ano. As etapas do início do tratamento estão em Como iniciar a reposição hormonal.
No Instituto AG, a consulta de reposição hormonal segue essa lógica de avaliação individual, e a página de reposição hormonal descreve o acompanhamento.
Perguntas frequentes
Preciso ir em jejum à primeira consulta?
Em geral, não. O jejum costuma ser necessário apenas para alguns exames de sangue, que são coletados depois, em laboratório, conforme a orientação recebida.
Devo parar o anticoncepcional antes da consulta?
Não pare sem orientação. O anticoncepcional interfere em alguns exames hormonais, e o médico vai orientar se e quando suspender, considerando também a necessidade de contracepção.
A primeira consulta já define a dose do hormônio?
Nem sempre. Muitas vezes a dose é definida no retorno, com os exames, e ajustada nos primeiros meses conforme a resposta e os efeitos colaterais.
Posso levar um acompanhante?
Sim. Um acompanhante pode ajudar a lembrar informações e orientações. Se preferir falar de temas íntimos sem a presença dele, é possível pedir um momento a sós com o médico.
Referências
Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Diagnóstico e tratamento devem ser feitos por profissional habilitado.


