Menopausa

Reposição hormonal feminina: cuidados antes e durante o tratamento

Por Instituto AG · 24 de dezembro de 2024 · 6 min de leitura

Médico em pé no centro de uma sala de espera clara com mulheres sentadas em cadeiras

Os principais cuidados na reposição hormonal feminina são: confirmar a indicação e descartar contraindicações antes de começar, manter mamografia e avaliação ginecológica em dia, usar progestagênio quando há útero, reconhecer os sinais de alerta e reavaliar o tratamento pelo menos uma vez por ano. São esses cuidados que mantêm o balanço entre benefícios e riscos favorável ao longo do tempo. Quem tem indicação, os tipos de terapia, os benefícios e as contraindicações estão explicados em Reposição hormonal feminina: indicações, benefícios e riscos. Aqui, o foco é o que acontece antes e durante o tratamento.

Antes de começar

Exames e avaliação

A avaliação inicial costuma incluir:

  • história detalhada dos sintomas, do ciclo menstrual e da data da última menstruação;
  • histórico pessoal e familiar de câncer de mama, ovário e endométrio, trombose, AVC, infarto e doenças do fígado;
  • medida da pressão arterial, peso e circunferência da cintura;
  • exame das mamas e exame ginecológico;
  • mamografia e preventivo em dia, conforme a idade;
  • exames de sangue como perfil de colesterol e glicemia, conforme o risco;
  • ultrassom transvaginal ou densitometria óssea, quando houver indicação específica.

Em mulheres acima de 45 anos com sintomas típicos, dosar hormônios geralmente não é necessário para diagnosticar a menopausa.

Pontos que mudam a escolha do tratamento

Algumas condições não impedem a reposição, mas alteram a forma de fazê-la:

  • enxaqueca, triglicérides altos, obesidade ou maior risco de trombose: a via transdérmica (gel ou adesivo) costuma ser preferida;
  • útero presente: o estrogênio precisa ser associado a um progestagênio;
  • sangramento vaginal sem explicação: precisa ser investigado antes de iniciar;
  • tabagismo: aumenta o risco cardiovascular e de trombose, e parar de fumar é uma das medidas mais importantes nessa fase.

Implantes hormonais

A Febrasgo já alertou para os riscos dos implantes hormonais sem aprovação da Anvisa. Em outubro de 2024, a Anvisa suspendeu a manipulação, a comercialização, a propaganda e o uso de implantes hormonais manipulados, entre eles os que continham gestrinona, testosterona e oxandrolona. Implantes com registro não foram afetados. Também vale não confundir: o implante contraceptivo de etonogestrel é um método anticoncepcional, não um tratamento para menopausa.

Durante o tratamento

Os primeiros meses

É comum surgir sensibilidade nas mamas, inchaço, dor de cabeça leve ou sangramento irregular nas primeiras semanas. Muitas vezes esses efeitos diminuem sozinhos ou com ajuste de dose, de via ou do tipo de progestagênio. O primeiro retorno costuma acontecer nesse período, para avaliar a resposta e os efeitos.

Sangramentos

Nas mulheres com útero, o padrão de sangramento depende do esquema usado: alguns provocam sangramento previsível todo mês, outros tendem a deixar de causar sangramento após alguns meses. Sangramento fora do padrão esperado, muito intenso ou que persiste após os primeiros meses precisa ser avaliado, porque pode indicar alteração no endométrio.

Sinais que exigem atendimento imediato

Procure atendimento sem esperar o retorno se surgir:

  • dor, inchaço ou vermelhidão em uma das pernas;
  • falta de ar súbita ou dor no peito;
  • dor de cabeça intensa e diferente do habitual, alteração da visão ou da fala;
  • fraqueza ou dormência em um lado do corpo;
  • nódulo novo na mama ou pele amarelada.

Mamas

O risco de câncer de mama está associado principalmente ao uso combinado de estrogênio e progestagênio por períodos mais longos. O aumento absoluto é pequeno, mas real. Manter a mamografia no calendário indicado e relatar qualquer alteração nas mamas são cuidados permanentes.

Ossos

A reposição ajuda a preservar a massa óssea e reduz o risco de fraturas. Esse benefício se soma a cuidados que não dependem de hormônio: exercícios de força e de impacto, ingestão adequada de cálcio e proteína, vitamina D quando houver deficiência e prevenção de quedas. A Febrasgo lembra que o risco de osteoporose aumenta a partir dos 50 anos.

Coração e metabolismo

A reposição não é indicada para prevenir infarto ou diabetes. O risco cardiovascular da mulher aumenta depois da menopausa, e o que reduz esse risco é o controle de pressão, colesterol, glicose e peso, a atividade física e não fumar. Esses parâmetros são acompanhados nas consultas.

Peso

Os estudos não mostram que a reposição cause ganho de peso. A mudança na distribuição de gordura, com mais acúmulo na barriga, é comum nessa fase com ou sem tratamento. Veja mais em Reposição hormonal engorda? e nas orientações do Hospital Israelita Albert Einstein.

Humor e sono

A reposição costuma melhorar o sono quando ele é prejudicado pelas ondas de calor, o que pode refletir no humor. Ela não é tratamento para depressão ou ansiedade, que precisam de avaliação própria e podem exigir acompanhamento psicológico ou psiquiátrico.

Pele e cabelo

Algumas mulheres percebem a pele menos ressecada durante o tratamento, mas a reposição não é indicada para fins estéticos nem impede o envelhecimento da pele ou a queda de cabelo.

A reavaliação anual

Com o tratamento estável, as consultas passam a ser pelo menos anuais. Em cada uma, revê-se:

  • se os sintomas continuam controlados e se a reposição ainda é necessária;
  • se surgiram novos diagnósticos ou medicamentos;
  • pressão, peso, exames de rotina e mamografia;
  • se a dose ainda é a menor eficaz e se a via continua adequada.

Não há prazo fixo para parar. A continuidade é decidida em conjunto, com base nos sintomas, na idade e nos riscos individuais. Se a decisão for suspender, alguns sintomas podem voltar, e há alternativas não hormonais para controlá-los. Para entender como os sintomas mudam ao longo das fases, veja Menopausa: sintomas por fase.

No Instituto AG, a reposição na menopausa parte de uma avaliação individual e segue com reavaliações periódicas dos benefícios e riscos de cada mulher.

Perguntas frequentes

Com que frequência preciso voltar ao médico?

Em geral, há um retorno nos primeiros meses para avaliar a resposta e os efeitos, e depois consultas pelo menos anuais. Quem tem mais fatores de risco ou efeitos adversos pode precisar de retornos mais próximos.

Preciso fazer mamografia mesmo usando reposição?

Sim. A mamografia segue o calendário de rastreamento indicado para a idade e o risco de cada mulher, e é parte essencial do acompanhamento durante a reposição.

Sangramento durante a reposição é normal?

Depende do esquema. Sangramento previsível pode ser esperado em alguns regimes, e escapes são comuns nos primeiros meses. Sangramento intenso, fora do padrão ou que persiste depois desse período precisa ser investigado.

Posso tomar bebida alcoólica durante a reposição?

O consumo de álcool aumenta o risco de câncer de mama independentemente da reposição. Moderar ou evitar o álcool é uma recomendação geral nessa fase, e o assunto pode ser discutido individualmente com o médico.

Referências

Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Diagnóstico e tratamento devem ser feitos por profissional habilitado.

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